“Lembrar para não repetir”

“A nossa luta é todo dia, contra o racismo, o machismo e a homofobia”

Lembrar para não repetir. Anteontem, dia 29 de novembro, em frente à Reitoria da UFMG, estudantes de Psicologia da universidade, com o apoio do GUDDS! e do NUH – Núcleos de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da UFMG, realizaram, no início da tarde, um ato em memória de vítimas de homofobia.

O ato foi singelo: balões multicoloridos cheios de gás hélio, para que pudessem alçar voo, levaram o nome de uma vítima da violência contra LGBT, uma interrogação, ou alguma outra coisa que pudesse simbolizar o sem número de vítimas que por diversas razões não vêm à tona. Vítimas de assassinatos antigos e ainda não punidos, como o do bailarino Igor Xavier, de Montes Claros, e Alexandre Ivo, do Rio de Janeiro, foram lembradas.

A pluralidade no evento foi marcante: o ato contou com a presença de pessoas de todas as faixas etárias, estudantes de diversos cursos, professores, funcionários e inclusive algumas travestis e transexuais. O movimento estudantil marcou presença e fez questão de dar suas palavras de apoio. Outro movimento presente foi o dos trabalhadores em educação que, não só deu seu apoio, como convidou os participantes a juntarem sua bandeira à deles.

Enquanto os participantes enchiam os balões, um debate acontecia ali. Representantes do NUH/UFMG, dos alunos de Psicologia e outras pessoas responderam a perguntas e deram suas opiniões por meio de um megafone sobre a situação da homofobia no Brasil, o que significa o protesto, o que a UFMG tem feito para combater a homofobia e outras pautas.

Os manifestantes lembraram que a homofobia é um problema da sociedade como um todo, uma lógica que está arraigada em nossos costumes, mas que não vemos, por estar naturalizada. Apontou-se que a homofobia não ocorre somente de pessoas para pessoas, mas há, também, a homofobia institucional – aquela cometida pelas instituições, inclusive, quando se negam a agir ou reconhecer uma situação de violência.

Os presentes cobraram da UFMG a criação de um plano de enfrentamento a homofobia, pauta antiga, reivindicada pelo GUDDS! desde sua criação. A violência contra travestis e transexuais teve um destaque especial no debate: afirmou-se o quanto ess@s sujeitos são invisibilizad@s em nosso cotidiano e até mesmo em nossa luta, e o quanto el@s sofrem uma violência singular e ampliada.

Ao final, os participantes se reuniram em uma grande roda, dando um abraço simbólico para gritar as palavras de ordem: “a nossa luta é todo dia, contra o racismo, o machismo e a homofobia”. As amarras que prendiam os balões foram então soltas, enchendo o céu – que, para a surpresa de todos, estava sem a insistente chuva – de cores.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s