Alô, UFMG! Aí também rola homofobia, viu?

CARTA ABERTA À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA DA UFMG, ESPECIALMENTE AO DIRETOR PARA ASSUNTOS ESTUDANTIS/UFMG

 15 de abril de 2011

Prezado Professor Luiz Guilherme Knauer (Diretor para Assuntos Estudantis da UFMG),

Pude ver hoje suas declarações sobre o caso de agressão a estudantes gays na Faculdade de Letras (FALE) no programa “Circuito” da TV UFMG. Como estudante dessa instituição desde 2004, fiquei admirado ao ouvir as propostas da Diretoria para Assuntos Estudantis referentes aos últimos casos de homofobia na UFMG. Tenho conhecimento de várias denúncias formalizadas de homofobia na UFMG (com repercussão nacional inclusive), de debates públicos com participação da reitoria, onde os casos foram apresentados e de manifestações contra as agressões e violências cotidianas sofridas por gays, lésbicas, travestis e transexuais.

Entendo que sua nomeação para o cargo de Diretor para Assuntos Estudantis é fato recente. Mas acredito que a desinformação que você apresenta na reportagem é mais um analisador dos modos como a UFMG, em especial a administração central, tem tratado esse grave problema. Ou seja, as denúncias, as várias manifestações realizadas no campus Pampulha e as reivindicações apresentadas à Reitoria não se tornaram objeto relevante para que a administração central da universidade se atentasse para oferecer qualquer resposta aos/às estudantes e professores/as envolvidos/as nesse debate. Nem sequer, a antiga direção para assuntos estudantis teve o interesse de repassar esse debate para que a nova gestão se inteirasse. O que podemos entender disso? A questão da homofobia não é um problema com que a Universidade quer se envolver, pelo contrário parece mesmo que a UFMG quer silenciar? Talvez seja ainda mais grave: a Universidade, em especial a administração central, não entende que a violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais seja um problema social? Daí tanto desinteresse?

Ainda gostaria de manifestar mais uma indignação quando vi sua fala na reportagem. Impressionante como em nenhum momento o senhor cita a proposta de uma campanha específica de enfrentamento à homofobia e de respeito à diversidade de orientação sexual e de identidade de gênero. A única solução que o senhor apresenta é o da investigação do caso e punição. Solução importante, claro. Mas insuficiente para o combate ao preconceito e discriminação a que gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais são submetidos/as na Universidade e na sociedade. A solução apresentada pelo senhor exige que as vítimas, já vulnerabilizadas, tenham que registrar a denúncia. Quando não há denúncia, não há caso a ser investigado. Se não há caso a ser investigado, não há homofobia. Parece-me que essa linha de raciocínio é a que orienta a inércia cúmplice da administração central da UFMG nesses casos. Lamentável. Esquece-se que o registro da denúncia, às vezes, exige demais da vítima, já em situação vulnerável depois de uma violência física. Exige, muitas vezes, exposição pública, o que pode gerar mais violência. E por fim, os resultados são baseados na impunidade. Exemplo disso foi o caso de agressão ao estudante de artes visuais na moradia universitária. O senhor se lembra desse caso? A reitoria instaurou Comissão de Processo Disciplinar, mas não houve divulgação da apuração disso. Qual punição foi dada ao agressor? Talvez esteja indicado neste relatório da comissão que nunca veio a público.

Uma política de enfrentamento à homofobia na UFMG não exige que haja denúncias. Não defendo com isso que os casos não devam ser investigados. Ao contrário, defendo que somente a investigação dos casos é insuficiente. Uma política de enfrentamento à homofobia não exige maior exposição das vítimas e poderia ter um alcance muito maior. No entanto, uma política de enfrentamento à homofobia exige que a Universidade se posicione com relação ao tema. E, definitivamente, isso é mais difícil para a administração, tão reticente em se posicionar nessas situações. Uma pena. Fica a questão se esta dificuldade não se traduz como um silêncio cúmplice que cria legitimidade para que atos homofóbicos aconteçam todos os dias nos mais diversos espaços acadêmicos. Qual o problema da Universidade em se posicionar nesses casos, professor?

Em mais um caso de violência à gays na UFMG, deixo o registro da minha indignação.

Leonardo Tolentino

Mestrando em Psicologia/UFMG

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Links para a reportagem do Programa Circuito da TV UFMG:

http://www.ufmg.br/online/tv/arquivos/018937.shtml

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4 Respostas para “Alô, UFMG! Aí também rola homofobia, viu?

  1. Realmente, as exigências que são feitas às vítimas de homofobia vitimizam os agredidos mais uma vez. Homofobia tem que ser tratada como crime de ação pública, independente de denúncia. Uma vez, tomado conhecimento do fato, tem que se abrir investigação pois se trata de grupo vulnerável que não goza de proteção da lei. Assim já é tratado pelo Disque 100 Direitos Humanos, do governo federal, pois a denúncia pode ser feita anonimamente. Sugiro inclusive que o maior número de pessoas liguem para o 100 e denunciem este fato. Lembro ainda que a UFMG é federal. E se a UFMG exige identificação do agredido, por que a escola não divulga os dados do agressor? Acredito que a UFMG, onde estudei, berço de liberdade e vanguarda, esteja se apequenando neste episódio.

  2. Gustavo Melo

    A postura do Diretório para Assuntos Estudantis reflete os efeitos da marginalização da comunidade LGBTTT na sociedade. O encaminhamento via institucional não corresponde à gravidade da situação. Afinal, se trata de 4 PESSOAS que sofreram abertamente VIOLÊNCIA FÍSICA E MORAL gerado por motivos torpes, oriundos da homofobia. Esta situação não é individual mas sim coletiva: a UFMG, como instituição de ensino que visa ser um espaço aberto para as pluralidades, DEVE ser um espaço aberto para a pluralidade. Assim, acredito que este caso deve ser investigado de forma que os agredidos (e acreditem, até eu, estudante do Colégio Técnico e que não estava presente na calourada, me senti agredido) tenham o retorno de seus direitos humanos, o que não aconteceu até agora. Que o DAE construa uma campanha de sensibilização para emancipação desta comunidade, desta subcultura, juntamente com os grupos de direitos humanos, o movimento estudantil e todos aqueles que desejam contribuir com esta importante tarefa. E que não pare por aí: que em todas as esferas da universidade inicie uma reflexão da homofobia no cotidiano universitário, e consequentemente nas esferas sociais.

  3. Ação democrática legitima (a de afirmar que os homossexuais são perseguidos) de pessoas de grande habilidade de Mídia; a qual cito no Blog que vou sugerir no seguimento para conhecimento e avaliação.
    Quando digo grande habilidade no saber como tratar Notícias e Informações; isto decorre do fato da maneira ruidosa e coerente como conseguem transformar um fato (lamentável é claro) em um factóide (fato maximizado, ampliado acima da sua real razão de ser) de grande repercussão, como é feito diversas vezes que ocorre algum tipo de agressão a homossexuais; cujos números estão muito aquém das agressões contra a mulher e as mútuas entre torcedores, pelo fato fútil de serem torcedores de Times diferentes… Comento isto aqui como elogio à forma inteligente como os homossexuais trabalham os Meios de Comunicação, reproduzindo aqui e ali elementos de Merchandising para aprovar o PLC 122.
    É estranho e difícil para eu entender como os homossexuais e a Mídia que têm dentro da sua comunidade ─ hoje e no decorrer da história ─ pessoas inteligentes semelhantes aos filósofos gregos homossexuais: o grande retórico Lísias e o inteligentíssimo Aristófanes, autor do Mito do Andrógino, ver, obra O Banquete da Platão ─; também artistas, intelectuais, pessoas de várias formações acadêmicas e principalmente as da área das Letras; não atentem para o que chamo de estupidez lingüística, que é o chavão acusativo HOMOFÓBICO (de homo-fobia), sabendo-se que homo (latim, homem), homo (grego; igual, semelhante; que é usado em homofobia) e fobia (grego, φόβος ─ medo com decorrente ação retro-ativa de fugir). Do que se conclui que: ao chamarmos alguém de homofóbico estaremos dizendo exatamente ser aquele que tem o sentimento de medo (fobia) a vítima desse (o criminoso no exato entendimento do termo) que lhe infunde medo.
    Não tenho nada absolutamente nada contra os reais direitos dos homossexuais; entretanto tenho tudo contra O PLC 122 OU A DITA LEI HOMOFÓBICA (este é o título do meu Blog), cujo endereço é http://www.verdaderespeitoejustica.blogspot.com , no qual, demonstro ser esta lei, não aquilo que defende os direitos dos homossexuais e sim, um odioso instrumento de Censura; como também está de maneira sintética (sinopse) em outro Blog meu, endereço  http://www.sinteserespeitoejustica.blogspot.com .
    P.S.: Apenas para reforçar como lembrete e gerar interesse ou curiosidade com relação ao Blog citado. CLAUSTRO + FOBIA, FOTO + FOBIA e algumas outras fobias têm plena assertiva nas suas construções, pelo fato óbvio de que quem está enclausurado ou diante de uma forte luz, desesperadamente busca fugir. O que aconteceu com as pessoas que têm conhecimento lingüístico? E o bom senso, o que foi feito dele (no não haver cuidado com o que se escreve e veicula), quando se mantêm o absurdo chavão chamado HOMOFOBIA, que é exatamente contra aquilo que se quer defender?.. Obrigado e parabéns pela dignidade democrática de respeitar opiniões.
    Atenciosamente JORGE VIDAL

  4. Tarsila Sjoers

    Mas que confusão a explanação deste Vidal!!!
    Impossivel entender tamanha prolixidade. E é uma pessoa que tenta se aprofundar em altas filosofias (rss) e escreve SEGMENTO assim: SEGUIMENTO.
    Realmente não dá pra dar seguimento à leitura de um segmento de “filósofo” como este.

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