Da Revista Fórum: Homofobia em preto e branco

Excelente reportagem dos jornalistas Glauco Faria e Thalita Pires, da Revista Fórum (edição 94). Leia aqui um trecho e veja a íntegra no próprio site da revista, falando sobre o papel da internet, da mídia e da religião no processo, além do que pode ser feito e da relação da homofobia com outros preconceitos. Vai lá!

Homofobia em preto e branco

Episódios de violência contra homossexuais trazem à tona a discussão sobre  direitos negados e preconceitos, que são encarados como corriqueiros pela sociedade 
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Por Glauco Faria e Thalita Pires

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No último 14 de novembro, quatro menores de idade e um jovem de 19 anos agrediram fisicamente, utilizando até lâmpadas fluorescentes, três pessoas que caminhavam na avenida Paulista, em São Paulo. No mesmo dia, um estudante foi xingado e baleado por um militar do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, logo depois do fim da Parada Gay carioca. Ainda que as imagens da agressão paulistana tenham chocado, isso não evitou que, 20 dias depois, outros dois jovens fossem vítimas de nova agressão, na mesma avenida. E, no dia seguinte, que imagens de um circuito de segurança mostrassem outro caso na mesma região.

É provável que quando você estiver lendo esta matéria novos casos de violência homofóbica terão ocorrido. Casos notórios como os descritos acima trouxeram à tona a preocupação com a segurança e a proteção da vida de homossexuais no país, embora boa parte da sociedade ainda queira evitar a questão, banalizada e invisível durante a maior parte do tempo. Agressões que têm a orientação sexual como motivação são constantes no Brasil. Não existem dados oficiais a respeito, mas levantamento realizado pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais contabiliza 198 homicídios com motivações homofóbicas em 2009. Em 2010, esse número já chegaria a 205. Segundo o antropólogo Luiz Mott (Universidade Federal da Bahia/UFBA), até 15 de dezembro, o número atingia a marca de 235 mortes, o que colocaria o Brasil na primeira posição entre os países que realizam algum tipo de levantamento.

A evolução da violência é preocupante, e a subnotificação dos casos indica que esse índice pode ser muito maior. Nem sempre as vítimas denunciam os crimes dos quais são vítimas, muitas vezes pelo fato de os algozes serem pessoas conhecidas. “A maioria das vítimas tem algum tipo de relação ou vínculo com o agressor, sendo um familiar, amigo, vizinho ou colega de trabalho. E esse agressor tem uma nítida impressão de impunidade, mesmo sabendo que está cometendo um crime”, conta Franco Reinaudo, da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da prefeitura de São Paulo.

Reinaudo se refere ao Mapa da Homofobia, elaborado pela administração paulistana com base em um serviço de denúncias, que ajuda a traçar um mapa das agressões homofóbicas na cidade. Alguns dados merecem destaque e podem ter pontos em comum com outros municípios brasileiros. “Pode-se constatar a intolerância dentro do ambiente doméstico, já que 22% das agressões físicas acontecem dentro de casa. Quando a vítima nos procura por conta da homofobia familiar, é porque foram expulsos da residência em função de o pai ou a família descobrirem que são homossexuais”, relata. “Existem alguns casos emblemáticos, como o de um pai que martelou a mão do menino por conta da sua homossexualidade, e a comunidade ficou a favor disso. Outro caso foi de uma mãe que pediu para o companheiro dela estuprar a filha quando descobriu que era lésbica, para que ela `virasse mulher`.”

Conforme o mapa da homofobia paulistano, das mil denúncias de agressões, 50% aconteceram no centro expandido, que engloba a avenida Paulista. “A gente desconfiava que o centro ia aparecer por dois motivos: lá, é a área onde se tem o maior número de estabelecimentos da comunidade, e sabemos também que existe uma quantidade expressiva de homossexuais e travestis que moram nessa região”, explica Reinaudo. “Em geral, uma outra informação que chega no mapa é que essa violência, quando acontece em espaço público, é bastante covarde, porque os agressores estão em maior número ou pegam a pessoa de surpresa. É uma agressão gratuita, a pessoa não tem a chance de responder. Eles não atacam onde existe alta concentração, a agressão é feita no caminho em que as pessoas estão indo ou vindo da balada, são quase emboscadas  no entorno para pegar a pessoa desprevenida”.

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2 Respostas para “Da Revista Fórum: Homofobia em preto e branco

  1. Olhos Noturnos

    “Só existe Bons Gay”

    Gay carboniza homem
    “Na moradia, além da dupla, estavam um travesti, a namorada do assassino e um outro rapaz, que teriam ajudado a desovar o corpo.

    – Segundo o autor nos disse, houve briga e ele estrangulou a vítima. O travesti teria agredido o rapaz (Pereira) – diz Grolli.”

    Leia A reportagem inteira
    http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3251766,1557,16764,impressa.html

  2. Comentário para lá de estranho. A começar pelo título “Gay” carboniza “Homem”. A se colocar dessa forma parece haver uma oposição Gay x Homem, além do mais, parece que Gay e Homem são categorias diferentes, ou seja, que Gay não é homem. O que não é verdade. Devo lembrar-lhe que gay, que a orientação sexual, é uma característica inerente a todos os seres humanos. Dessa maneira, um HOMEM, pode perfeitamente ser GAY, ou não.

    Além disso outra coisa me encomodou. A frase “Só existe bons gays”. Isso me pareceu completamente estranho. Ninguém com bom senso defenderia isso, nem mesmo nos militantes LGBTS. Como já disse, gay é tão ser humano quanto qualquer outro e sujeito as mesmas falhas. O que diferencia um gay de um hetero é apenas sua orientação sexual, não há nada aí que garanta que ele seja bom ou ruim. Da mesma forma como heteros são bons e ruins, gays também o são. Então um assassino pode sim ser gay, hetero ou bi. A orientação sexual não tem nada a ver com comportamento criminoso da pessoa, são fatores completamente independentes. É como querer falar que pessoas que gostam de azul tendem a roubar mais. Alguns estatísticos podem até querer buscar uma correlação correlação entre as variáveis, mas elas são meras coincidências/”forçação de barra” em que não há interdependência entre os fatores, um bom exemplo é a correlação que já mostraram entre as variações na bolsa de valores e os ataques de tubarão. Confiável, não?

    Vamos procurar nos informar mais e parar de deturpar fatos.

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