Lançamento do Manual de Comunicação LGBT discute resistência da mídia em agendar questões LGBT de forma isenta

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Como parte da programação da Semana BH Sem Homofobia, foi lançado na última quarta-feira, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais – SJPMG, o Manual de Comunicação LGBT, uma publicação da ABGLT – e parceiros – que visa prover informações sobre as expressões técnicas de redação sobre temas relacionados a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. O público-alvo são profissionais, estudantes e professores de Comunicação.

Junto ao lançamento aconteceu o seminário Noticiando o arco-íris: por uma mídia cidadã e sem homofobia com palestra do professor-doutor Carlos Alberto de Carvalho. A mesa também contou com as presenças de Carlos Magno, do Cellos-MG, Mateus Uerlei, mestrando em Ciência da Informação, e Janaina da Mata, jornalista e diretora do sindicato. A conversa com o público, cerca de 50 pessoas, versou sobre o relacionamento da mídia com o segmento LGBT, incluindo o lugar que o homossexual ocupa nas novelas e programas de tevê – por vezes estereotipado e caricatural.

A discussão mostrou que ainda existe uma certa “cegueira” dos meios de comunicação para crimes de homofobia e uma tendência, ainda que sutil, de desqualificar e criminalizar os homossexuais envolvidos nas notícias veiculadas. O tratamento desse mal vem sendo feito há muito tempo, mas é um trabalho árduo e de resultados lentos. Sugestões apontadas para incrementar ações para reverter este quadro, levantadas durante as perguntas ao fim do seminário, incluiram um trabalho de conscientização junto aos professores e estudantes dos cursos de Comunicação e ações de sensibilização dos jornalistas, como as feitas pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância – ANDI, que incluem cursos e premiações.

Seminário em detalhes

Da esquerda para a direita: professor Carlos Alberto Carvalho, Janaina da Mata, Mateus Uerlei e Carlos Magno.

O professor Carlos Alberto de Carvalho falou sobre sua pesquisa de doutorado, na qual avaliou a cobertura dos jornais O Globo e Folha de São Paulo durante seis meses em 2008. Ele detectou, em sua pesquisa, uma tendência a desqualificar os homossexuais, ou então tratá-los como “assexuados”. “Os jornais ainda não conseguem assimilar certos conceitos”, disse o professor Carvalho, acrescentando que ainda é comum vermos expressões já há muito em desuso pela sua conotação negativa, como “homossexualismo” e “opção sexual” sendo utilizadas na mídia. Em outra pesquisa, abrangendo mais veículos de comunicação e feita em conjunto com o pesquisador Bruno Souza Leal, professor da UFMG, Carvalho afirmou terem percebido que “no geral, há mais invisibilidade e encobrimento das situações, apesar de não haver um posicionamento contra a causa LGBT”, disse.

Publicações pioneiras na esfera LGBT, como “O Esnobe”, distribuido no Rio de Janeiro nos anos 60 e “O Lampião da Esquina”, que teve vida curta no final da década de 70, se diferenciando por trazer à baila questões políticas, foram lembradas por Mateus Uerlei. O estudante de mestrado criticou o posicionamento da mídia tradicional e lembrou que, atualmente, as redes sociais e a internet são as grandes armas das minorias para serem ouvidas, permitindo, inclusive, novos olhares sobre a notícia ao contar com a interferência do leitor no processo da transmissão da informação.

O militante do Cellos-MG e atual secretário de Comunicação da ABGLT, Carlos Magno, concordou com Mateus no que tange às possibilidades das novas mídias, mas admite que ainda falta às grandes entidades LGBT incorporar seu uso. Ele também teceu críticas aos veículos de comunicação, inclusive aos destinados ao público LGBT: “esses veículos queriam que nós [movimentos] fôssemos responsáveis por ‘bombar’ as publicações, mas aí cabe um questionamento: até que ponto essas publicações estão a nosso favor?”, pergunta, para logo depois citar as inúmeras notícias sobre festas e consumo, além da matéria de capa da Revista Veja (edição 2164, de 12 de maio de 2010), para a qual “a militância não é mais necessária aos gays jovens”. Para Magno, este tipo de publicação mostra a luta pelos direitos de cidadania de forma incompleta e desqualificante.

Um consenso entre os participantes da mesa é que a mídia não é proativa quando se trata de questões LGBT e outras minorias. Ela só se move por pressão dos movimentos, que exigem visibilidade da dura realidade do segmento no Brasil. A diretora do SJPMG, Janaina da Mata foi enfática ao dizer que não se pode deixar a mídia retratar o que quiser da forma que quiser: “eu não quero que a mídia me retrate como gay ou lésbica, mas sim como cidadã, como uma pessoa que tem poder de voto e que tem direitos”, afirmou a diretora. A questão do agendamento da temática LGBT na mídia temligação direta com a democratização da Comunicação, como explicou a diretora, ao defender que “é preciso cobrar uma abertura desses meios [de comunicação], pois rádios e tevês são concessões públicas, então eles devem, sim, satisfações a nós”, apontou.

Fotos: Janaina Rochido

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Uma resposta para “Lançamento do Manual de Comunicação LGBT discute resistência da mídia em agendar questões LGBT de forma isenta

  1. isto e mei chato mais e um pouco legal

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