HOMOFOBIA NA MORADIA DA UFMG

Carta aberta – Homofobia na UFMG – baixe aqui o pdf.

Homofobia na Moradia Universitária II da UFMG

 


 

Na madrugada do último sábado, dia 14 de março de 2009, o estudante de Artes Visuais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fernando A. S. F., foi vítima de violenta agressão física e verbal, de cunho homofóbico, praticada às portas da Moradia Universitária II da UFMG, onde reside. Tal agressão prosseguiu dentro da Moradia, sob os olhares dos seguranças universitários, que demoraram a intervir na situação.

O referido estudante procurou o Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (GUDDS!) que vem a público pedir a mobilização da comunidade universitária, da sociedade civil organizada (em especial dos grupos do Movimento LGBT e do Movimento Estudantil de todo o Brasil) e de todas/os as/os cidadãs/ãos aos quais essa carta chegar, a fim de que providências sejam tomadas no tocante a esse caso explícito de violência homofóbica e no combate a outras manifestações homofóbicas que ocorrem dentro da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesse sentido, pedimos que manifestos de repúdio a essa ação e à postura da segurança universitária sejam enviados ao Reitor da UFMG, o Prof. Ronaldo Tadêu Pena e à Presidente da Fundação Universitária Mendes Pimentel/FUMP (responsável imediata pela administração das Moradias Universitárias), a Profª. Rocksane de Carvalho Norton, conforme indicações presentes ao fim desta carta aberta.

Na madrugada do dia 13 para o dia 14 de março de 2009 (sexta para sábado), o estudante Fernando e duas amigas retornaram de taxi para a Moradia Universitária II da UFMG, onde residem. Distante apenas três passos do portão de entrada, Fernando foi atingido nas pernas por um chute, desferido pelas costas pelo também estudante da UFMG e morador da Moradia II, V., que estava acompanhado de sua namorada. Ao virar-se, Fernando foi novamente atingido, agora com um soco em sua boca. Essa agressões físicas eram acompanhadas por insultos homofóbicos como “viado” e “bicha”. Tais agressões continuaram mesmo dentro dos portões da Moradia Universitária II da UFMG, sob os olhares de dois agentes da segurança que acompanhavam tudo desde o início. Diante da imobilidade dos seguranças, uma das amigas de Fernando tentou socorrê-lo, passando a ser também agredida: pela namorada de V. que a agarrou pelos cabelos, e por ele próprio, que chutou suas costas. Apenas após a agressão à moça, os seguranças tomaram providências, segurando V. Este, logo em seguida, deixou o local com sua namorada dizendo “vamos embora, já consegui o que eu queria” e proferindo mais ameaças. Além disso, nesse mesmo dia, V. fez declarações, a outros estudantes residentes na Moradia II, que demonstram sua rejeição a homossexuais, utilizando expressões como “nojo a homossexuais” e referindo-se de modo pejorativo ao apartamento no qual Fernando residia, chamando-o de “gaiola das loucas”, para dizer que lá só moram gays.

Ressaltamos que durante todo o momento em que as agressões físicas ocorriam, V. e sua namorada insultavam Fernando com dizeres de depreciação e ofensa relacionados à homossexualidade, caracterizando motivações homofóbicas dos agentes. Outras pessoas presenciaram tais acontecimentos e confirmam os fatos relatados, dispondo-se a prestar depoimento judicialmente.

Questionamos a (des)atenção dispensada pela UFMG na formação e instrução de seus profissionais de segurança, que assistiram e permitiram tamanha agressão homofóbica, intervindo apenas após a violência física ter se estendido a uma das moças presentes.

Compreendemos que a agressão ocorrida não atinge somente ao Fernando e sua amiga. Ela se estende àqueles e àquelas que não são heterossexuais e que são juntamente inferiorizados pela reafirmação da homossexualidade no lugar da escória social. A violência homofóbica atinge também toda comunidade acadêmica que convive, há anos, com o preconceito presente em nosso dia-a-dia e nos trotes de recepção aos calouros de alguns cursos. É esse mesmo preconceito, legitimado pela permissividade institucional existente quanto às suas manifestações mais sutis ou tidas como inofensivas (como os trotes homofóbicos), que se materializa nessa agressão absurda.

A Reitoria da UFMG recebeu essa denúncia formalizada pelo próprio estudante e pedidos de providências elaborados pelo GUDDS! e por outros órgãos dessa Universidade. Contudo, acreditamos que o apoio em massa da comunidade universitária, dos Movimentos Sociais e demais cidadãs/ãos é de essencial importância para que providências realmente eficazes sejam tomadas pela Administração Central da UFMG e pela Direção da Moradia Universitária II, no tocante a essa e outras manifestações homofóbicas, já que elas se repetem nos espaços dessa Universidade sem necessariamente ganharem visibilidade.

Por todo o exposto, convocamos todas e todos a somar esforços na solicitação de providências por parte dos órgãos competentes, encaminhando manifestos de repúdio à violência sofrida pelo estudante Fernando, à postura da segurança universitária e a toda forma de homofobia, às seguintes autoridades na UFMG:

 

Profª. Rocksane de Carvalho Norton

Presidente da Fundação Universitária Mendes Pimentel – FUMP

(Fundação privada de apoio à UFMG responsável pelas Moradias Universitárias)

 

Tel: (31) 3213-7518 / (31) 3274-6591 / (31) 3213-7448

fump@fump.ufmg.br

 

Av. Afonso Pena, 867 – 20º e 21º andares – Centro

Belo Horizonte, MG / CEP: 30130-002

 

 

Prof. Ronaldo Tadêu Pena

Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

 

Tel: (31) 3409-5000 / Fax: (31) 3409-4188

reitor@ufmg.br

 

Av. Antônio Carlos, 6627 – Pampulha

Belo Horizonte, MG / CEP: 31270-901

 

 

Indignad@s,

 

Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual / GUDDS!

guddsmg@gmail.com

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4 Respostas para “HOMOFOBIA NA MORADIA DA UFMG

  1. Bruno Alberto

    Já tá na hora de o reitor cobrar certa posturas dos professores de sua área, a engenharia, quanto à diversidade sexual, ao ensinar. Acho maravilhoso os professores do ensino fundamental e médio terem passado por treinamentos e palestras sobre homofobia na escola. Por que não os professores universitários?
    Cobro essa postura enfatizando a engenharia pois são de lá a maioria das agressões, físicas e morais [haja vista o trote ridículo a que os calouros do ICEX são submetidos, mostrando a bunda e gritando que na FAFICH e na Belas Artes só tem “viado”]. Se vem de cima, quem sabe a situação não começa realmente a mudar?

  2. Catarina

    Fico enojada com esse tipo de preconceito e o mais triste é ver que outras pessoas apoiam essa barbaridade ou simplismente se omitem.
    Temos que divulgar acontecimentos como esse para defender os direitor humanos que devem ser estendidos a todos independente de raça, credo ou opção sexual

  3. Enviei a seguinte carta ao reitor da UFMG:
    Ilmo senhor Reitor da UFMG
    Prof. Ronaldo Tadêu Pena

    Como cidadão e ex-aluno desta universidade venho manifestar meu protesto contra a permissividade nesta escola, que tem facilitado a proliferação de atos homofóbicos.
    Permissividade, por exemplo, é não treinar seu corpo de segurança para intervir em atos de intolerância e ódio contra a diversidade sexual.
    Postei em meu blog a carta aberta do Gudds MG denunciando o fato ocorrido na madrugada do último sábado em ambiente da UFMG, contra seu aluno de Artes Visuais.
    O espaço do meu blog encontra-se aberto também para a manifestação dessa Reitoria.
    Visite: http://marcionlinehoje.blogspot.com/
    Estarei atento aos desdobramentos do caso, postando providências ou falta delas por parte da UFMG.
    Sem mais para o momento, agradeço a atenção
    Márcio Lima / Jornalista

  4. Raphael diniz

    Eu, moro a alguns kilometros de distancia de BH e esta notícia me chegou [pq talvez conheço uma galera do gudds]. A respeito das poucas notícias que recebi, fico pensando sobre como está mesmo sendo tratada esta questão. Por um lado, um ato de repulsa e indignação perante a um ato violento e por outro lado, outra versão da estória sobre o fato. Importante pautar uma única coisa: Que nada se resolve em violência. Pode até ser que a vítima neste caso [vítima ao qual menciono, o rapaz que tanto apanhou] como relatado por Leandro tenha desrespeitado o casol agressor, porém isto em nada justifica resultados em violencia. Tem que punir sim os agressores! Se o agressor tem sua sexualidade tão recalcada a ponto de agredir um outro, o mesmo tem que ser punido!

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